ESPAÇO PARA IDEIAS, CONVERSAS E ENCONTROS DE INTERESSADOS PELO CONHECIMENTO HUNA




13 julho 2016

APEGOS EMOCIONAIS

Constatamos que os APEGOS estão intimamente ligados às EMOÇÕES, conforme a organização das ideias incialmente transmitidas por Sebastião de Melo.
Segundo a definição do Dicionário de Língua Portuguesa Houaiss, APEGO é ligação afetuosa; afeição, estima. É um substantivo masculino (daí seu teor substancial).
A simplicidade objetiva das antigas palavras havaianas permite a nós o estudo melhor apurado dos APEGOS, pois neste alfabeto os conceitos estão relacionados a aspectos corporais e a manifestações gerais da natureza.
Em havaiano, à luz de Mary Pukui e de Samuel Elbert, os caracteres ho´opili e ´upu representam os APEGOS a serem aqui tratados, já que remetem à palavra attachment na Língua Inglesa:
  • HO´OPILI: Apegar-se, aderir, unir-se a uma ideia.
  • ´UPU: Pensamento recorrente, desejo, apego, expectativa.
Os 3 espíritos ou elementos habitam, cada qual, em um corpo sombreado, denominado kino aka. O conjunto dos espíritos e de suas respectivas sombras formam o chamado corpo físico, um elemento consequencial: o produto do ser humano aqui visualizado, que se projeta como uma imagem.
Logo, pelas lições clássicas expostas nas “Cartas Sobre Huna”, de Otha Wingo, extraímos o conceito de que o corpo humano é o veículo e instrumento dos espíritos manifestados em corpos sombreados, que estão interligados e possuem funções particulares para o funcionamento integral.
A base deste mecanismo se sustenta através da produção, concentração e armazenamento de energia vital, denominado mana: a força universal que permeia todas as coisas. No homem é produzida pelo espírito unihipili, gotejador. Ele basicamente o produz através da respiração, alimentação e contato intenso com as forças da natureza. Com o acúmulo de mana, cordões o enviam para os demais 2 espíritos - uhane e aumakua. É a função de projeção e impregnação do unihipili, que permite o fluir de mana, fixando o espírito a algo, o tocando, aderindo.

UNIHIPILI – PRODUÇÃO DE MANA – ENERGIA – ADERÊNCIA

O espírito uhane, aquele que fala e age motivado pela vontade, duplica o mana produzido e enviado pelo unihipili, tornando-o mana mana. Esta duplicidade fortalece o espírito pensante, que se expressa muitas vezes tornando-o “Senhor do Homem”. Características de intelectualização, capacidade de raciocínio analítico e busca pela ordem, se aliam à imaginação e ideação do uhane. No entanto, ele assume seu papel intelectual de gestor apenas de acordo com as memórias armazenadas no unihipili. O espírito uhane recebe as informações arquivadas no espírito unihipili e as classifica, formando pensamentos que podem se materializar (dependendo da carga de mana fortalecida neste processo).

UNHANE – FORMA PENSAMENTO – IMAGINAÇÃO - EXPRESSÃO

Após o desenvolvimento anatomofisiológico do ser humano nos primeiros anos de vida, unihipili continua com sua função de Guardião das Memórias, produtor e armazenador de mana, responsável pelo desempenho básico da pessoa, buscando instintivamente livrar-se da dor para sua sobrevivência. Uhane capta as sensações do mundo exterior através dos 5 sentidos aprimorados, costumeiramente as filtrando e aumentando o conteúdo do baú de memórias do unihipili com novas e diversas experiências. Desta forma, ambos atuam juntos na dinâmica da vida, quer estejam alinhados ou não.
No dizer de Sebastião de Melo, o unihipili, enquanto Guardião das Memórias, acolhe as situações aprendidas ou experienciadas, registrando suas impressões com marcas deixadas em seu espírito. Ocorre que as memórias carregadas pelo unihipili podem vir de gerações passadas. São as marcas mnêmicas, transformadas corporalmente em Memória Genética Programada no preparo do Sonho Básico de Vida em Po (Mundo Invisível), para esta reencarnação. A Memória Genética Programada está representada no DNA.
De onde e de quais gerações vieram essas memórias passadas? Até que ponto escolhemos as experiências a serem vivenciadas, quando preparamos no Mundo Invisível as condições gerais da jornada reencarnatória a ser aqui desenvolvida?
As questões fogem das respostas comumente elaboradas. Sob o prisma da HUNA, é preciso nos remeter ao estudo da antiga mitologia polinésia para entendermos e sentirmos que, em determinado momento muito distante, nos separamos do Todo com a ilusão de desenvolvermos nossa individualidade. Com tal rompimento aparente, passamos a produzir mana e ensejar nossos pensamentos que cocriam o mundo das manifestações nas imagens projetadas.
Leinani Mellville, na obra “As Crianças do Arco-íris – A Religião, As Lendas e Os Deuses do Havaí Pré-Cristão”, retrata poeticamente a passagem em que os Filhos de Tane/Na´Vahine vieram do Tahiti (o plano celestial onde a origem divina do homem foi estabelecida), para o Havai´i (a superfície coberta de vapor, sobre a qual a umidade fazia chover).
Mellville afirma que a identidade do Havai´i está oculta dentro de sua HUNA (profundeza), a fim de que seu significado não se perca. Assim, após inúmeras gerações que se seguiram, podemos ainda dizer que, apesar das aventuras da Divina Progenitora Ra´i Ra´i, que originou os desafios humanos iniciais, essencialmente, somos Filho de Tane/ Na’Vahine.
Nossa condição espiritual momentânea classificada em 3 espíritos é longa, porém passageira. Ela se fortalece à medida em que os atributos doutrinadores do uhane tentam impor suas regras de permanência neste mundo pesado, tido como realidade.
Como todos os corpos habitam suas respectivas densidades sombreadas (kino aka), algumas mais sutis e outras mais densas, podemos por consequência concluir que vivemos no Mundo das Sombras. Não no sentido religioso temerário de Mundo das Trevas, como a sociedade contemporânea se autoassusta; e sim Mundo das Sombras pela expressão HUNA de que os espíritos residem em camadas, isto é, habitam corpos sombreados.
Em HUNA, todas as coisas manifestadas na Terra são visíveis pela sua sombra, isto é, pela imagem modelo dos espíritos unihipili e aumakua. Apenas o homem possui o categorizador uhane, com sua respectiva densidade. Porém, tal espírito não impede que viva no Mundo das Sombras, já que o uhane também reside em corpo sombreado – o balcão de seu pensamento.
Saímos mitologicamente da energia divina, nos afastando desta essência, para desenvolver nosso caminho espiritual trino. Após diversos processos reencarnatórios que preencheram com experiências nosso grande Sonho Básico de Vida, ficamos escravos atualmente de nossa face uhane. O chamado Eu Médio que ordena nossas ações e divide mana mana com seus pensamentos voltados para as conquistas externas, num intenso jogo de emoções. Em síntese, estamos condicionados às memórias e aos pensamentos que energizam a formação de outros corpos sombreados.
Nossa ânsia por melhorias na vida; nossa febre atual pelo que é considerado positivo; e nossa esperança de estarmos curados, faz com que muitas vezes afirmemos estar na “Luz”, “Caminhando no Brilho do Amor” e coisas do gênero... Mas luzes, cores e brilhos, neste aspecto, refletem parte da essência do ho´o hua. O círculo somente se dinamiza com os Talentos ou Atributos inerentes a cada Princípio do Xamanismo, que iluminam seus Desafios correlatos.
Ignorância não pressupõe falta de conhecimento, como popularmente se conceitua. Em HUNA, o Desafio Ignorância está ligado à cegueira em nome do mundo exterior. Aquilo que está fora e prende (adere) o sujeito às situações, às pessoas e aos fatos estranhos ao oculto em cada um. Apenas com o despertar do Talento Visão, torna-se possível entender o quando se está ignorante em determinada fase da vida.
Nesta condição, unihipili assume seu caráter de aderência, estendendo seus fios e cordões condutores de mana ao projeto, sonho, enfim, ao objeto de desejo pessoal. Tal disparo conta com a focalização do uhane, que forma pensamentos e dá importância sobre o que quer (e sobre o que não quer). Os 2 espíritos buscam determinada conquista, apegando-se fortemente a ela, o que engrossará cordões aka e formará mais sombras. É a síntese do APEGO EMOCIONAL.
Por que emocional?
A palavra emoção provem do latim emotione: movimento, comoção, ato de mover. É um derivado tardio da forma composta de duas palavras latinas:
  • E: fora, para fora; e
  • MOTIO: movimento, ação, comoção e gesto.
Esta formação latina foi tomada por todas as línguas modernas europeias. Posteriormente, foi vastamente documentada no sentido de "agitação da mente ou do espírito".
A eficácia das expressões antigas da Língua Havaiana facilita o estudo HUNA das emoções e dos aspectos emocionais, sempre ligados a situações corpóreas:
  • PU´ UWAI: centro das emoções, coração. Significa também o broto de taro (planta).

  • NA´AU: humor, temperamento, sentimento, mente, coração afeição.

  • PI´I KA : expressão que aparece em determinadas frases com relação à emoção.

O conjunto de significados de na´au se adapta de forma mais fiel ao nosso estudo, pela ligação direta com o conceito de emoção desenvolvido por Serge King, segundo o qual:
EMOÇÃO é energia (mana produzido pelo unihipili que a envia)
circulando pelo corpo (veículo dos espíritos)
 com pensamento dirigido (formado pelo uhane).
O dinamismo no fluxo de mana produzido e enviado pelo unihipili durante qualquer movimentação emocional, irriga o sentimento, a valorização de algo que se deseja pelo uhane. O resultado traduz o simbólico coração afetuoso, apaixonado e apegado aos seus variados anseios, produzindo alterações no humor visíveis em corpos sombreados.
Podemos então afirmar que TODAS AS VIVÊNCIAS E SITUAÇÕES ENVOLVEM ESTES ESPÍRITOS, QUE LHES DÃO UM FUNDO OU BASE EMOCIONAL, CUJA INTENSIDADE DEPENDE DA ENERGIA DESENCADEADA.
APEGO EMOCIONAL é tudo aquilo que lhe prende energeticamente a algo; ao que o seu corpo (veículo e instrumento dos 3 espíritos) está preso ou comprometido; enlaçado ou amarrado por fios e cordões aka impregnadores que conduzem mana.
A raíz do APEGO é interna; está no corpo. Entretanto, sempre se projeta no Mundo das Sombras, pois se expande, por cordões, para fora dos espíritos pessoais. Quando o APEGO EMOCIONAL é correspondido, gera a ilusória sensação de posse ou de conforto; quando é insuficiente, produz frustração, angústia, entristecimento, podendo ainda ocasionar patologias diversas.
As doenças decorrentes dos APEGOS EMOCIONAIS decorrem da quantidade deficitária de mana, o que causa, praticamente, um curto circuito nos cordões aka enrolados, direcionados cegamente aos desejos conscientes e inconscientes. Tais APEGOS EMOCIONAIS bloqueiam o fluxo de energia que seria necessário para outras atividades corpóreas.
No APEGO EMOCIONAL intenso, a Clareza de Visão exposta no ho´o hua é um farol apagado, que não aciona o distante poder interior. Neste patamar de Ignorância, o mana está voltado para as representações exógenas de poder. Entre elas, o amor sentimental e o status social são a tônica da comunidade, disfarçados de crescimento e evolução. Muitos se sentem próximos do divino quando tem seus APEGOS EMOCIONAIS satisfeitos (temporariamente). Outros experimentam um estado de riqueza aparente com a manifestação de seu poder ilusório.
Na disposição do ho´o hua, fortes APEGOS EMOCIONAIS são a constatação periférica do poder, máscara do Grande Medo presente nos 4 Primeiros Desafios do Xamanismo Havaiano. O medo da morte se acentua diante do APEGO EMOCIONAL às situações da vida.
É a Ignorância que nos lança cada vez mais à borda do ho´o hua e nos torna apegados ao terreno das ilusões, contempladores das sombras manifestadas, distantes do Princípio IKE... Nesta situação, o “mundo não é o que se pensa que ele é”. O mundo em que se vive é uma entidade à parte, onde, medrosos, tentamos nos adaptar como malabaristas sociais, para sermos aceitos.
Diante desta mentira em que camuflamos o Princípio IKE, estamos vítimas ou reféns do mundo externo. Nossa falta de Visão Interior nos torna apegados ao que for desejado, criando e reforçando nossas posses em segmentos estranhos.
As posses constroem formas diversas de poder. Esta sombra criada, ou força ilusória desperdiçada, reforça ainda mais os APEGOS EMOCIONAIS, que se tornam viciosos e aumentam nossa aderência.
O corpo quer mais. Unihipili busca prazer e uhane dá o comando para a ação desejada, de acordo com as experiências passadas que foram registradas. Com isto, seguimos sofisticando desejos na vivência de nossos APEGOS EMOCIONAIS que prometem felicidade ou bem estar.
Como se fôssemos um “disco arranhado tocando a mesma música”, somos em grande parte viciados pelo mana que circula na vitrola do APEGO EMOCIONAL. A insistência deste aparelho antigo de prisão paralisa a dinâmica dos Talentos dinamizadores do ho´o hua, impedindo o som do crescimento espiritual.
O que nos apega pode ser válido e legítimo em determinado momento, mas reforçar tal aderência promoverá o entupimento dos cordões aka condutores da energia por onde determinada EMOÇÃO se manifesta. Ou seja, o próprio corpo sentirá as consequências.
Ocorre que, para haver o entrosamento harmônico entre uhane e unihipili, desembaraçando cordões aka para identificá-los e enfraquecê-los, é necessário que se amplie a percepção com uma sensibilidade aflorada, abrindo outros canais.
Muitas práticas HUNA, prioritariamente focadas no ato de respirar, favorecem este diálogo sincero entre os espíritos que habitam o corpo. A preceação sintetiza uma conversa espiritual, mediante o estado alterado de percepção, onde os espíritos são amigos colaboradores, unidos na intenção de cura.
Não por acaso na Língua Havaiana, a palavra HA – Sopro da Vida – está presente em todas ações que indicam respiração. Sua conotação mística transborda também em outras culturas milenares, principalmente orientais. O polêmico guru Rajneesh Mohan, mais conhecido como Osho, afirmava poeticamente que “deus é a respiração dentro da respiração ...”.
Assim, o aprimoramento de técnicas úteis baseadas no fluir interno do ar, que preencham os fios e cordões com a renovação de mana, forma outros cordões e desativa ligações anteriores, registrando novas memórias que servirão de bagagem para o posterior crescimento.
A partir daí, se pode tomar conhecimento dos APEGOS EMOCIONAIS e se inicia um trabalho de desaderência de pensamentos, coisas, pessoas e situações, aos quais se estava energeticamente ligado. Aquelas peças instrumentais desafiadoras assumem outro peso no desenrolar deste Sonho.
APEGOS EMOCIONAIS geram dificuldades. O prazer é efêmero e a satisfação é passageira, como tudo o que existe. Querer perpetuar o APEGO EMOCIONAL é ir contra a Lei Universal da Transitoriedade, que por fim é derradeira.
Quando se inicia o clareamento de Visão, o sujeito sente que é a causa integral de sua vida; não o motivo egoico carregado de pensamentos. Daí em diante, a responsabilidade pessoal não deixa espaço para culpados externos. A conserva cultural acumulada pela culpa e juízo dificulta ou castra a percepção para a descoberta e reconhecimento dos APEGOS EMOCIONAIS.
O crescimento espiritual apenas pode estar facilitado quando, de alguma forma, você sinceramente, mesmo que por um instante, flua com você mesmo, sem desperdício de mana e mana mana para fatores externos, exaustivos a curto ou a longo prazo.
Sua ajuda aos outros em nome de suposta caridade, pena ou compaixão cristã nunca será eficaz enquanto você não estiver comprometido com a sua melhora integral: uhane e unihipili alinhados, manifestando a presença de aumakua.
Para prosseguir nesta reconstrução interior, se faz necessária a revisão e abandono de muitas crenças, adormecidas ou não, no porão de memórias do unihipili. É preciso rechaçar aquilo que não funciona para o crescimento por ser valor moral incompatível, voltado para a manutenção da mediocridade sistemática no mundo das imagens por si só.
Alguns são apegados emocionalmente ao que é difícil. É outro padrão social introjetado, que recebe acolhida na dicotomia vítima/culpa. Figurar nestes papéis disfarça sentimentos de inveja, vaidade, orgulho e ciúme, que atrasam o buscador espiritual. São muitos os filhotes da cultura ameaçadora dos mencionados Sete Pecados Capitais que ainda assombram nosso amigo unihipili, principalmente no Ocidente.
Enquanto valores externos, os posicionamentos dificultadores devem ser separados, analisados e neutralizados para o estudo sincero das próprias EMOÇÕES. Tudo o que atrapalha a fluência de mana para o funcionamento integral de suas capacidades trazidas para este Sonho Básico de Vida é a negação do seu próprio crescimento.
Na derradeira definição de Sebastião de Melo, o que chamamos de mudança é a quebra de valores e conceitos, adquirindo ou perdendo padrões, o que se consegue reformulando memórias.
Ao contrário do que muitos tentam impor, os valores sociais arraigados são bloqueadores emocionais que aumentam o medo coletivo e reforçam figuras de vítimas e culpados.
Na revisão interior que promove o desapego, você se desbloqueia emocionalmente à medida em que percebe que o “mundo é o que você pensa que ele é”: um  produto de suas crenças múltiplas e energeticamente interligadas. Por isso é de vital importância o antigo ensinamento de Max Freedom Long, no sentido de se libertar das crendices que não funcionam mais para você, ser colocado definitivamente em prática.
A jornada pelo ho´o hua, com a dinamização dos Talentos, promove situações facilitadoras que emergem com naturalidade de dentro para fora. Esta pureza natural vem combinar com a sua alma reencarnada e permitir que o processo criativo flua em você com saúde. É o feeling a seu favor...
As facilitações descobertas enfraquecem o discurso das “lamentações espirituais”. Aquele sujeito acovardado, que tentava lembrar o que passou na outra reencarnação para justificar sua insatisfação, assume sua responsabilidade atual com a mudança. Da mesma forma, o acomodado procrastinador, que jogava seus anseios para as futuras reencarnações – conceito que insistia em propagar que acreditava – encara o presente como pode: a cada momento único em sua própria vez.
Agora os instantes de harmonia entre unihipile e uhane são mais intensos e duradouros, fornecendo flashs de ALOHA. Serge king, com sua linguagem própria nos relembra que quando ku e kane estão em harmonia, kanaloa se manifesta. A criatividade e espontaneidade promovidas pela interferência direta de aumakua – espírito adorado, mas comumente esquecido por conta dos antigos APEGOS EMOCIONAIS – faz com que os desafios da vida não tenham a densidade sombreada de antes.
Nesta reencarnação tudo continuará a estar manifestado em corpos sombreados, mas com a ciência dos APEGOS, com o redirecionamento EMOCIONAL e com a intenção fiel de se auto observar para mudar, se solidificarão memórias de uma força corporal interior que se manifesta nos 3 espíritos com o fito de crescimento, beneficiando o modelo em constante aprimoramento espiritual. É a pulverização dos antigos bombardeios emocionais, que não assusta o xamã desapegado: aquele que utiliza a energia a seu favor, trazendo resultados benéficos à sua sombra, a dos outros e à sombra natural que envolve todas as coisas.


Nelson Gonzaga Bueno

25 janeiro 2015

LIMITAÇÕES - HAIKI

Limitações são o único conjunto de desafios dos princípios do xamanismo havaino cuja grafia é apresentada no plural dentro do círculo do ho´o hua. Haiki em havaiano corresponde à falta do talento esclarecimento, que distancia o ser humano do princípio kala, segundo o qual “não há limites”.

Serge king traça as limitações de uma forma objetiva, simplesmente dispondo, sem grandes detalhes, que não há limites na vida. Tal afirmação, para ele, enseja uma suposta força de superação diante de obstáculos apresentados. Esta forma de atuar pode ser útil em diversos segmentos, mas, por não enfatizar a reformulação de memórias, promove um cansaço pela exaustiva criação de situações semelhantes, onde se acionaria algum “antídoto ilimitado”. Ou seja, é uma espécie de tratamento ou método que substitui pensamento por outro pensamento, porém não altera a maneira básica de pensar.

Nos estudos elaborados por Sebastião de Melo, a partir do gradual clareamento de visão interior, despertado com as vivências do princípio ike - o mundo é o que se pensa que ele é - , a pessoa que enseja a jornada espiritual, isto é, aquela norteada pelo desenvolvimento integral rumo ao crescimento balizado pelas mudanças de padrão obtidas com a reformulação de memórias, sente e pensa o quanto está limitada em pensamentos, ideias, palavras e ações nas experiências diárias, do cotidiano.

Como, segundo pesquisas Huna, todo ser humano é formado por 3 espíritos que habitam seus corpos sombreados, todas (absolutamente todas) as situações experimentadas são produzidas pelo corpo,  que enlaça através de fios e cordões, isto é, forma teias de sombras representantes dos espíritos encarnados para aquilo que está fora, em constante adesão.

Muitas vezes, como que estivesse enjaulado diante de fatos estranhos ou até mesmo nadando num aquário redutor de ideias, que no fundo é o próprio corpo, pode-se perceber que os fatores limitadores, embora filtrem experiências, são carregados de frustração pela impossibilidade de uma vida plenamente saudável. Neste aspecto, os desejos imaginários entram em conflito com a aparente impossibilidade de se concretizar, o que gera confusão, enquanto consequência das limitações. Não se trata aqui da confusão como desafio do princípio makia.

Diante de nossa cultura vitimizante e dramática, que prega o medo e valoriza o sofrimento, nossos pensamentos assustados e acovardados facilmente se situam distantes de nosso eixo central, longe da morada espiritual interna, do íntimo núcleo de onde emana toda energia pessoal. Desta forma, a sombra do uhane compõe uma nuvem carregada sobre aquilo que o outro representa. Este outro, de uma maneira geral, pode ser sociedade, pessoas, coisas, tudo o que parece estar fora e domina a mente sofredora.

O resultado desta mecânica funcional deficitária (pensamentos e imaginação distantes que valorizam sobremaneira aquilo que parece estar fora), impede o funcionamento harmônico dos 3 espíritos em corpos sombreados, como consequência de mana insuficiente no próprio corpo (em partes ou aspectos importantes dele), surgindo dores em geral, doenças, psiquismo distorcido ou sentimentos obsessivos, que geralmente são tratados pela sociedade de forma isolada. Assim, costuma-se combater as consequências de determinada patologia e não se atinge a causa íntima que carece de mana vital.

Limitações pessoais são frutos de padrões estagnadores que resultam de talentos adormecidos no corpo, aptidões não colocadas em prática por diversos motivos, que são as causas interligadas dos desafios do ho´o hua. Os 3 espíritos em desarmonia causam timidez e inibição nas atividades diversas. O sujeito não age pela ausência de mana ou pelo descrédito em si mesmo, bloqueando a energia acumulada, não liberada para determinada atividade.

Nesta condição não esclarecedora, o uhane, acuado pelas limitações também impostas pelo mundo exterior, sente-se ainda mais acanhado. São as limitações sociais que tonificam as mencionadas limitações pessoais.

Limitações sociais são costumes, usos, regras, normas e leis impostas pela sociedade para tentar proporcionar um aparente equilíbrio entre as pessoas de determinada região, comunidade ou Estado. Podem ser propagadas também por doutrinas ou conceitos religiosos que prometem recompensas espirituais para manter as pessoas “na linha”, contudo, acomodadas no seu confortável degrau de frustração. Independente do julgamento se serem boas e úteis ou não, as limitações sociais enaltecem as limitações pessoais ou são suas justificativas mais banais e enganadoras.  “Não faço isto, porque a sociedade não deixa”; “não faço aquilo, porque minha religião não permite”.

Existem também as limitações espaciais, que são fatores da natureza que nos limitam. Leis físicas que impedem a experiência plena do corpo no mundo exterior. Representam a moldura de todas as limitações por conta de sua abrangência. São representadas pela gravidade, aceleração, espaço/tempo, temperatura e outros conceitos limitadores de ação, aos quais estamos sujeitos. Em momentos de plenitude, flashs do espírito de aloha ou profundidade oriunda do estado alterado de percepção, é possível, mesmo que por instantes, romper tais barreiras de limitação, como prova esclarecedora de que tudo é possível e de que a separação é apenas uma ilusão útil.
Estaremos sempre limitados em nossa passagem por ao, isto é, sujeitos a filtros que nos impedem de ações absolutas, por termos nos afastado da grande teia aka para desenvolver nossa ilusória individualidade. Não poderíamos visualizar as cores do arco-íris se não tivéssemos o parâmetro limitador de cada energia luminosa, e o mesmo ocorre com todas as sensações gravadas no unihipili e classificadas pelo uhane, que valoriza ou não cada experiência. No entanto, dentro deste conjunto de fatores que nos limitam, a percepção de que é possível reformular memórias no sentido de esclarecer que nosso corpo é um complexo filtro que busca instintivamente se purificar, apesar de não saber exatamente como, é a passagem natural do unihipili para o comando do desenvolvimento e crescimento espiritual, com a colaboração do uhane, aproximando-se da linguagem intuitiva, sem dar importância aos pensamentos alheios ou a ser tido como louco por uma sociedade que finge não ser insana.


Nelson Gonzaga Bueno

27 julho 2014

CORAGEM

“Façamos da interrupção um novo caminho.
Da queda um passo de dança,
do medo uma escada,
do sonho uma ponte, da procura um encontro” – William Shakespeare.

Na definição livre e poética de Wikipedia, CORAGEM - do latim coraticum, do francês courage - é a habilidade de confrontar o temível som de discórdia, a difícil vida, o amor, a certeza ou a intimidação. O homem sem temeridade motiva-se a ir mais além. O medo pode ser constante, mas o impulso o leva adiante. CORAGEM é a confiança que o ser possui em momentos de temor ou em situações difíceis. É aquilo que o faz viver, ultrapassando as barreiras do medo. É a força invisível para combater momentos tenebrosos da vida.
Platão relaciona a CORAGEM com razão e dor. Para o filósofo grego, CORAGEM é o uso da razão (no sentido amplo que inclui aspectos emocionais) a despeito do prazer. É a coerência com os princípios próprios de cada um. Trata-se da auto-observação que faz agir.
Os animais irracionais também demonstram CORAGEM, principalmente devido aos seus instintos primitivos e pela necessidade de sobrevivência e manutenção da espécie. Por exemplo: um pássaro que sai do seu ninho sente que pode morrer, mas a necessidade de sobrevivência fala mais alto nele, fazendo com que surja a CORAGEM para lançar voo.
Os seres humanos, diferentemente dos outros animais, tem um psiquismo muito influente em suas atitudes. Com isto, seus medos e superações variam muito de uns para outros, dependendo das características que trazem, dos seus talentos naturais, que podem sofrer influências do ambiente e do verniz educacional. Ou seja, a CORAGEM no Homem está sujeita às suas crenças de acordo com seu Sonho Básico de Vida.
Segundo Ghandi, “a primeira qualidade do caminho espiritual é a CORAGEM. O mundo parece ameaçador e perigoso para os covardes. Estes procuram a segurança mentirosa de uma vida sem grandes desafios e armam-se até os dentes para defender aquilo que julgam possuir. Os covardes acabam construindo as grades da própria prisão”.
Quanto à antítese de CORAGEM, que é o medo, de acordo com Sebastião de Melo, ele aparece em todas as situações da vida, quer seja pela destruição, causada pelas guerras frias que transformaram pessoas em inseguras, como também pela própria ignorância (falta de visão interior), que tira as perspectivas de um futuro com tranquilidade e paz. O Homem perdeu a confiança em seu poder, no mana dentro de si. Somente será livre quando acreditar plenamente que O MUNDO É O QUE ELE PENSA QUE É, conforme o Primeiro Princípio do Xamanismo Havaiano.
Com tanta carga de ignorância que o acomete, o ser humano acovardou-se, muitas vezes afastando-se da sociedade, pensando que só encontrará inimigos em potencial e, desta forma, refugiou-se em casa e em si mesmo, tornando-se vítima da valorização e quase obsessão da violência.
Apesar de tudo ter concorrido para que o medo impere em nossas atitudes, não saiu completamente de nosso interior o divino que há dentro de nós, que pode se manifestar nos momentos de harmonia entre uhane e unihipili. Basta lembrar o Sexto Princípio do Xamanismo Havaiano, segundo o qual TODO PODER VEM DE DENTRO.
Em paralelo a este medo atual que foi descrito, surge a CORAGEM que repousa dentro de nós, de acordo com nossas potencialidades, oriundas do Talento Esclarecimento, que aparece na redução das Limitações. Todo este processo se manifesta no corpo físico.
A CORAGEM também pode ser definida como uma força invisível diante de situações perigosas ou difíceis com que nos defrontamos em nosso dia a dia. A dificuldade ou perigo da situação é proporcional ao tamanho do apego envolvido.
A CORAGEM abrange o aspecto de grandeza de espírito: coragem de assumir suas opções, ações e consequências – que em diversas ocasiões é dificultada pelos nossos apegos morais, que caminham com nosso orgulho pessoal diante de fatos, situações e até mesmo fantasias. Para Nietzche, o medo é o pai da falsa moralidade.
Nos estudos de Martin Heidegger, a morte pode despertar em nós dois sentimentos: o medo e a angústia. O medo nos faz não pensar na morte, para não enfrentarmos a situação, adiá-la, esquecê-la. Mergulhamos em ocupações e até conversamos sobre a morte dos outros, mas não encaramos a nossa, que um dia chegará para outras existências. Tal pensamento nos remete ao Desafio Procrastinação, do Quarto Princípio do Xamanismo Havaiano, Manawa, segundo o qual O MOMENTO DE PODER É AGORA.
Para Heidegger, o medo nos convida a viver na impropriedade; não atribuímos sentido, deixamos que os outros e as circunstâncias o atribuam; nos alienamos de nós mesmos, vivendo sempre correndo com nossas agendas cheias de nossas distrações que nos ocupam. Vivemos num sentido impróprio, que não aponta em direção alguma, como uma finalidade sem fim. Constata-se aí o Desafio Confusão, relacionado ao Princípio Makia do Xamanismo Havaiano, onde A ENERGIA SEGUE O FLUXO DO PENSAMENTO.
Na análise da psicoterapeuta Maria de Melo, autora da obra “A Coragem de Crescer – Sonhos e Histórias para Novos Caminhos”, Editora Agora, 2013, a CORAGEM “vem de dentro, do mais profundo da gente. Ela exige estrutura de personalidade, alma forte”.
Maria de Melo ainda menciona a importância da Humanidade para levar ao pé da letra a expressão “criar coragem e mudar o rumo das coisas”. Diante disto, sugere:
- Entender seus medos: uma pessoa corajosa não é alguém que não tem medo, mas aquele que não se deixa paralisar por ele. Um certo nível de receio, cuidado e zelo são normais, perante grandes desafios; porém os corajosos se mantem firmes em suas decisões.
- Supere o que é fato daquilo é fantasia: muitas vezes os riscos estão apenas na mente, isto é, são baseados em crenças, suposições e fantasias. Entender a base originária desses medos é essencial para se criar CORAGEM necessária para agir.
Seja humilde: é a humildade da autoaceitação que nos dá a força verdadeira. Sem humildade se pode cair na tentação de culpar os outros e a sociedade pelos medos e não enxergar a si mesmo, como único responsável pela falta de CORAGEM (na abordagem Huna – o mundo é aquilo que você pensa que ele é).
- Assuma os riscos: CORAGEM também significa assumir desafios, mas sempre de maneira calculada, no jogo da vida. Correr riscos não é ser descuidado, ou não enxergar o perigo. A CORAGEM tem clareza. A pessoa vê as coisas e, por isso, é prudente. A prudência, se passar do ponto, é um medo disfarçado que pode nos tornar covardes (na abordagem Huna – procrastinação).
- Experimente: muitas vezes o medo deriva do que é desconhecido. Tem sempre aquele frio na barriga antes de começar, mas depois a coisa acaba fluindo. É como aquela pessoa que tem medo de água, mas dá o passo de se inscrever num curso de natação. Ela substitui a crença do “será que eu consigo”, para o “vou tentar” (na abordagem Huna - já consegui!).
- Dê o primeiro passo sozinho – apesar das dicas anteriores, criar CORAGEM exige uma atitude pessoal e intransferível, por mais apoio que se receba da família, dos amigos e do terapeuta. O primeiro passo é sempre feito pela própria pessoa. É a vontade dela que desenvolve a CORAGEM. Sem vontade, não há CORAGEM.

A vida em si não tem sentido, pois somos nós que atribuímos um significado para ela, de acordo com as possibilidades trazidas para as vivências do Sonho Básico de Vida. Destrinchar a Ignorância, as Limitações, a Confusão e a Procrastinação é, em síntese, um grande ato de CORAGEM na visão HUNA. 
Rosa Bueno

06 janeiro 2014

SIGNIFICADOS DO SÍMBOLO DA ASSOCIAÇÃO DE ESTUDOS HUNA



O símbolo Huna acima foi elaborado para a “Huna Research Inc.”, por John B. Bainbridge, de Hollywood, Califórnia. Muitos membros da Huna foram consultados, inclusive o antiquário Charles W. Kenn, que sugeriu o lema. As cores foram introduzidas pela Associação de Estudos Huna do Brasil.

A imagem representa os elementos da Huna no Homem. O ser humano esquematizado, sem sexo definido, foi adaptado de um petroglifo no Havaí que representa o corpo físico.

Ele está envolvido pelo corpo sombreado ou kino aka. Os três semicírculos do arco-íris tem um significado triplo de representação:

1 - Os três espíritos ou aspectos humanos: aumakua, uhane e unihipili.
2 - Os três níveis de energia: mana, mana-mana e mana-loa.
3 – Indica, além disso, que quando você não o persegue, ele o segue.

A videira representa o cordão-aka que une os três espíritos e que liga uma pessoa à outra. As memórias são arquivadas nos cachos de uva do unihipili como formas-pensamentos e emitem cordões-aka responsáveis pelo envio do quadro da preceação (uma importante prática Huna) ao aumakua ou Eu Superior.

Os círculos em volta da imagem simbolizam o uhane e o aumakua com seus corpos-aka, bem como o universo pessoal e o Cosmos. Sua reprodução em cores está em vermelho e amarelo (ou dourado), que são as colorações da antiga realeza havaiana.

Entre os círculos externos e internos, na parte superior da figura, há o lema

HUNA KA MANA LOA”, que  significa:
“O CONHECIMENTO OCULTO DE GRANDE PODER”.


Na parte inferior, existe outro lema
IKE AO NEI”, que significa:
ANTIGAS REVELAÇÕES DIVINAS PARA O MUNDO”.

A união dos dois lemas havaianos, sincreticamente, significam:

 “OS CONHECIMENTOS OCULTOS DE GRANDE PODER SÃO ANTIGAS REVELAÇOES DIVINAS PARA O MUNDO”. 

“ANTIGOS CONHECIMENTOS DIVINOS OCULTOS, REVELADOS PARA O MUNDO”.

A tradução de cada uma das palavras é:

Huna – secreto, oculto, confidencial e encoberto.
Ka - artigo usado antes dos substantivos, com o significado de o, os.
Mana Loa - Poder Supremo, intenso, grande, onipotente e todo poderoso.
Ike - saber, ver sentir, cumprimentar, reconhecer, perceber, estar ciente, receber revelações dos deuses. Conhecimento e percepção.
Ao - luz, dia; despertar de um sonho, visão. Ensinar, instruir, esclarecer e conscientizar. Mundo, Terra, reino. Ser cuidadoso e observar.
Nei - passado

Texto e pesquisa elaborados por Thereza Melo, que autorizou esta publicação.

22 novembro 2013

DESEJOS


Aquilo que muitas vezes denominamos como “projeto de vida” é o conjunto de anseios que buscamos alcançar através das situações que se desenvolverão na existência. Porém, nossas limitações permitirão apenas a realização de parte deste aglomerado de intenções, já que morreremos desejando algo (nem que seja a própria morte).

Tal paradoxo nos mantem aqui vivos ou sobreviventes, dependendo da intensidade dos apegos. Quanto mais apegado se está, menos vivo se sente e maior refém se é do mundo onde se sobrevive.

Sonhos fantasiosos e ambições desmoderadas, com tônica para o que é apenas socialmente valorizado, projetam a utopia de felicidade para o futuro aparentemente seguro:

“Se eu conseguir isto, serei feliz... Se comprar aquilo, terei paz...”

Com este raciocínio simplista, enfatizado pela grande comunicação de massas, nos engajamos desesperadamente na luta para conquista do mundo desejado (ou pelo menos de parte dele).

Para tanto, muitas vezes mentalizamos proteção superior, representações divinas e toda sorte de amuletos que possam nos auxiliar na materialização de nossas vontades. No sentido postulante da palavra, o ser humano contemporâneo continua a ser um bom macumbeiro: oferece algo para obter sucesso nesta troca, se realizando parcialmente no sistema de posses.

A busca desenfreada faz com que nos esqueçamos de que a vida já começou e não será unicamente consolidada com os resultados almejados. Esta inversão que caracteriza a corrida pelos desejos, representada no "projeto de vida", faz com que nos tornemos cada vez mais carentes. Observamos o presente e nos lançamos ao plano futuro, na ilusão de que, com a vitória sobre as coisas e pessoas, aí sim viveremos de fato.

A mente rápida, categórica e esperta, quando assustada pelas oscilações que estremecem o mundo exterior, nos dá a impressão de que “sem isto ou sem aquilo” – algo que estamos apegados sem perceber – não viveríamos.



Assim, cegos pelos desejos, estamos continuamente perdidos na dualidade deste plano, embasados no passado e norteados para o futuro, estagnados pelo prazer anestésico de cada dia, que somente altera cenário e figurino do presente (ausente).


13 novembro 2013

NAPA - PROCRASTINAÇÃO SOB O PRISMA DA PSICOFILOSOFIA HUNA

A Praia, O Oceano e O Horizonte

Temos o dom de adiar. Adiamos nossas atitudes. Adiamos nossas relações. Adiamos os passos que nos conduzem a novos horizontes, amplos e reveladores.

Sob o signo do Grande Medo, diariamente praticamos a procrastinação, isto é, nos omitimos e impedimos de nos lançar ao mar de ações que já estão conscientizadas, obtidas por outros níveis de percepção. Com isso, permanecemos na areia, barrados por ondas de ilusão.

Se nos compararmos a um barco a partir no oceano da vida, observamos que iniciamos a viagem cheios de esperança, temos anseios de conhecimento, sensações e vitórias, querendo, no íntimo, vencer a nós mesmos. Contudo, após experiências e realizações, nos momentos de pequenas mudanças de rumo que nos beneficiariam, nos retraímos e retornamos à beira da praia, que nos proporciona a superficial sensação de conforto e segurança.
                        
Na praia, atracamos e construímos pequenos castelos de areia, alguns grandes, bonitos e imponentes; ou corremos com vigor na beira d´água, querendo demonstrar saúde e aparente perfeição. Atitudes que impressionam aqueles que circulam, pessoas iludidas na mesma caminhada, tecedoras de elogios às nossas obras. É a sociedade como um todo, que nos considera feliz e supõe que somos repletos de paz e harmonia por conta do nosso desempenho. Ou seja, a ilusão exterior encorajando a ilusão interior do navegador covarde que procrastina na lama social.
                        
Entre castelos frágeis, longos percursos e bajulações fáceis, temos um momento único: sentimos aquela luz de outrora e focalizamos novamente o horizonte amplo e revelador, aquele que descobrimos, sentimos, tentamos alcançar e na hora “H” bloqueamos, embasados no imenso caldeirão de memórias aprisionadoras que nos faz remar para trás, retornando mais uma vez à praia do autoengano.
                        
Prostrados na areia, nos sentimos frustrados e deprimidos. Percebemos que os outros aguardam a beleza de nossos castelos, de nossa fachada, ao mesmo tempo em que nossas memórias clamam pelos velhos elogios que tentam justificar a permanência nos grãos da mentira.
                        
Neste ciclo rotineiro, movidos pelo raciocínio analítico ou pela angústia, buscamos consolo para o contínuo estado de adiamento em que nos situamos. Daí surgem as ideias de punição karmica – como se pagássemos o preço por outras vidas; ou de futuras encarnações – como se pudéssemos nos lançar no mesmo oceano após aquilo que chamamos de morte... Se assim o fosse, já pagamos a quantia cara por estarmos parados na areia, como já quase nos afogamos quando estivemos no mar. Logo, nada temos a perder com a permanência forçosa.
                        
Parece fácil... Mas seu conjunto de ilusões cultivado há tanto tempo, que indiretamente promove a mediocridade, contempla:

Ok, vamos fingir que as coisas são assim mesmo. Afinal, mudar para qual praia? Correr até onde? Construir castelos mais bonitos? Caminhar na areia dando mais atenção aos outros? Lançar-se ao mar numa embarcação mais potente, para que as pessoas medrosas acenem com admiração e respeito pela nossa aventura na vida?
                        
Você sabe que não. Você sente que não. A verdadeira mudança permite o desbloqueio dos demônios pessoais que você construiu e pode neutralizar, pois já percebe o clareamento de visão interior, conhece os padrões de limitação e sente que a energia segue o fluxo do seu pensamento. Trata-se da manifestação renovadora em seu próprio corpo, em pensamentos, palavras e ações, alterando naturalmente o curso do barco para frente.
                        
A transformação reflete o brilho dos seus olhos quando avança ao horizonte e prossegue no oceano de mistérios, sentindo compaixão pelos que observam da praia, compreensão pelo seu próprio barco de memórias, prazer pela dinâmica da vida, gratidão por você mesmo e amor por tudo o que existe.





10 maio 2011

IMPORTÂNCIA DA RECARGA DE MANA - ENERGIA


Explicamos que mana, num sentido amplo, significa energia. Sim, a tão falada expressão utilizada e enfatizada em nossos dias. Fonte universal de vida que está presente em todas as coisas e corpos.

Para os antigos polinésios, há milhares de anos, essa ideia de energia era primordial e sua necessidade era elementar na eficácia de qualquer ato praticado, físico, mental e, sobretudo, espiritual. Como viviam naturalmente a crença de que todo ser humano é formado por 3 espíritos, toda atitude era por si "espiritualizada" e representava, no mínimo, desenvolvimento pessoal.
 
Se o espírito unihipili, que Max Freedom Long classificou como Eu Básico, precisa de mana para satisfazer as necessidades fundamentais no funcionamento do organismo, toda mana por ele produzida, armazenada e enviada é, portanto, desenvolvimento espiritual. Este simples processo deixa marcas no vasto arquivo de memórias até o ponto, depois de algumas vivências, onde haverá um salto para o crescimento (que será futuramente abordado).

Já expusemos também que respiração é a fonte de energia primoridal e básica. A focalização no ato de respirar resume a forma inicial e mais simples de produzir mana. Muitas filosofias e correntes doutrinárias religiosas fazem menção a este ato, que pela sua primazia Sebastião de Melo costuma chamar de primeiro alento.

A partir do nosso nascimento, começamos a respirar. É a função ou atividade básica que lastreia tudo o que pensamos, sentimos a agimos. Embora muitos considerem um aspecto banal e rotineiro, a respiração impulsina todos os papéis a serem desempenhados durante a vida na Terra. Você pode viver sem seus pais e filhos, por mais duro que possa parecer, mas não vive sem respirar. Aliás, a prática dessa focalização pode aliviar eventuais perdas e situações que serão partes da sua jornada, dando-lhes um sentido mais profundo (um dos significados da HUNA).

O relaxamento durante alguns instantes ao longo do dia, apenas sentindo o fluir natural do ar, entrando e saindo, é, por si, a recarga de mana. Seu efeito é surpreendente e melhora a concentração, fortalece a memória e ocasiona disposição para qualquer atividade a ser desenvolvida, impulsionando a vontade. Minutos inicias em que o uhane (espírito que fala e julga) tenta a dispersão são superados com a manutenção no foco.

Rituais e algumas músicas podem servir de estímulo sensorial para que o uhane permita que a mana seja armazenada e que se possa, às vezes, sentir sua trasmissão para os outros espíritos (da mesma pessoa ou de uma pessoa para outra). Essas práticas catalizam a atenção e refletem o muito propagado meditare.

Não é necessariamente obrigatório que se fique em jejum ou isolado em abstinência para meditar. Levando-se em conta que esta palavra é uma tradução do latim, que significa ir para o centro ou "pensar em", podemos arrazoar que meditar também é simplesmente focalizar, que está ligado à respiração, ato profundo.

Assim, medita-se quando se está focalizando na atividade primordial da existência, o que é a própria recarga de mana. Contudo, muitos insistem em afirmar que meditar é "não pensar", partindo para uma outra vertente, na busca de um suposto vazio interior. Trata-se de uma questão interpretativa: em que você prefere acreditar ? Seja qual for a sua escolha, você continuará respirando, isto é, fazendo recarga de mana ... (continuação).

16 março 2011

MANA É ENERGIA

Muito se comenta nos dias de hoje que tudo é "energia", que a "energia de determinado local está boa ou carregada", que "precisamos de energia para viver", que "tal pessoa tem muita energia", até a derradeira frase de que "deus ou o universo é pura energia".

Ao depender da abordagem, o uso da palavra energia pode gerar confusão, pouco esclarecimento ou partir para uma infinidade de dúvidas, pois aquilo que significa tudo, ao mesmo tempo não quer dizer nada.

"Energia" se tornou uma das palavras mais desgastadas do mundo (com as suas respectivas traduções em diversos idiomas), como "amor", "deus", "artista", "desculpa" e "amigo" - não necessariamente nessa ordem.

No sistema HUNA, mana é a palavra que melhor traduz esta expressão. Além de representar um dos 7 Princípios do Xamanismo Havaiano, "o" mana ou "a" mana é a força universal que permeia todas as coisas, dando uma aparente situação de individualidade. Para os antigos polinésios, tudo que existe tem mana, ou é composto por mana, em diferentes vibrações.

Segundo Sebastião de Melo, em " O Guardião do Segredo - Psicofilosofia Huna", conforme o homem cresce, passa por modificações que influenciam na qualidade de sua mana. Para o psiquiatra, o mana fé, que é apanágio do ser humano, por estar ligado à certeza de um pensamento firme, é o elemento de coesão entre os 3 espíritos (uhane, unihipili e aumakua), refletindo resultados na vida.
 
Na mitologia havaiana, Mana (com M maiúsculo) é o sopro divino essencial e originário que antecedeu a formação do mundo atual das manifestações, também conhecido como Ao.

Além dos corpos físicos em si, os pensamentos e as emoções também possuem sua vontagem de mana e, dependendo de sua intensidade ou carga emocional, podem se materializar dentro do referencial espaço/tempo. Tal processo era natural para os kahunas (antigos guardiões do conhecimento), mas hoje constuma ser considerado milagre ou mágica para alguns; enquanto que coincidência para outros; e acaso para os que se dizem céticos. Assim, a explicação é secundária, o fato é que aquilo que estava na mente se materializou de alguma forma.

Em cada indivíduo, conforme já expusemos, existe a produção de mana para o exercício e função de toda e qualquer atividade. A fonte natural desta energia é adquirida através da respiração (fruto do primeiro alento após a vida fetal), dos alimentos que ingerimos (sólidos e líquidos) e das outras forças da natureza (de qualquer espécie) ou corpos considerados distintos (humanos ou não).

Após a produção, a mana circula entre os espíritos de cada ser humano pelos cordões-aka que partem do unihipili e interligam os outros dois (uhane e aumakua). A mana também pode ser enviada para outras pessoas ou coisas, quando bem direcionada por técnicas que estaremos a demonstrar.

 Logo, se tudo (e absolutamente tudo) é energia e mana está em tudo, de uma maneira simples para a antiga cultura havaiana, mana é energia.